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Da importância do letreiramento nos quadrinhos (1)

Olá!

Você saberia citar dois elementos exclusivos das histórias em quadrinhos? Talvez existam mais… agora, dois deles definem a mídia HQ.  Pense um pouco.

O Extracurricular Cucaracha

 

Isso mesmo. Os balões e as onomatopeias.

Eles não existem em mais nenhum outro lugar. É verdade que as onomatopeias vêm da literatura e, com alguma pesquisa, podemos encontrar textos em prosa e poesia que lançam mão dessa figura de linguagem. Agora, com esse grau de cumplicidade que aparece nos quadrinhos? Praticamente coadjuvando com personagens? Dificilmente encontraremos algo que chegue perto. E não, não vale citar as onomatopeias do seriado do Batman dos anos 60 nem os quadros do Roy Lichtenstein!

 

Roy Liechtenstein. Wake me up, before you go-go, Passei minha infância inteira achando que isso era parte de uma HQ maior.

 

Alguns estudiosos só definem o surgimento dos quadrinhos a partir do momento em que os balões entram em cena. Estes exemplos abaixo seriam, para alguns, os precursores das HQs.

 

Rodolphe Töpffer (1833) – pesquise sobre ele.

 

Max und Moritz. Na internet você encontra em PDF.

 

Bom, tivemos bastante teoria, agora vamos passar à prática.

 

Ordem dos balões nos quadrinhos

Para nós, ocidentais, a leitura se dá da esquerda para a direita, e de cima para baixo. Por mais óbvio que pareça, às vezes os quadrinistas esquecem dessa regra. Daí que você às vezes pode se confundir com a ordem de um diálogo, e precisa ler de novo. Isso é péssimo. Quebra todo o ritmo da história.

Neste quadro da minha HQ O Extracurricular Cucaracha, você lê os balões de cima para baixo e depois da esquerda para a direita. Como eu consegui essa façanha?

 

Cucaracha

Spoiler?

 

Fácil: a distância entre os balões “dribla” a tendência de se ler do lado esquerdo para o lado direito.

Se você tiver alguma dúvida quanto a isso, durante a produção de seu quadrinho, verifique, com um amigo que nunca colocou os olhos neles, se a leitura está seguindo o padrão ou se ele tem dificuldades em acompanhar os diálogos.

 

Peso das palavras

O grande Will Eisner tinha um letrista fora de série em sua equipe. Veja, nestes balões, com que facilidade o texto conduz o leitor. Você nem precisa saber falar inglês para notar as mudanças na entonação de voz dos personagens.

Spirit

Spirit, do gênio Will Eisner

 

Neste exemplo, perceba como o balão inflado indica o ego enorme do artista.

Kuka0002

“Eu!”

 

Aqui, a “voz” do narrador ganha uma letra com serifa.

Kuka0003

 

Sinta a força do drama interno do personagem! Ele está paralisado pelo dilema!

Kuka0004

“Por quê?”

 

Sem contar as belíssimas composições que Eisner fazia, mesclando desenhos e texto. Quantos autores, hoje em dia, fazem esse tipo de “casamento” artístico?

 

Não tenha receio de fazer experimentações nas suas histórias. Busque inspiração em outras linguagens: pintura, arquitetura, dança, poesia, ou até mesmo floricultura! Por que não?

Semana que vem vamos abordar as onomatopeias. Enquanto isso, visite estes dois sites para baixar letras. Sim, baixar. Hoje em dia, quem faz as letras dos quadrinhos  à mão? Muito pouca gente.

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