ga('send', 'pageview');

Entrevista com Júlio Magá

Coisas que me incomodam nas HQs (e que eu não faço)
September 30, 2016
Entrevista com Lucas Libanio
October 14, 2016

Entrevista com Júlio Magá

 

Hoje temos uma entrevista um dos mais novos colaboradores do CRIESUASHQS: Júlio Magá, criador do Casca Grossa. Acompanhem esta entrevista, que ficou muito bacana!

Fale um pouco sobre você.  Qual a sua área de atuação antes de se tornar quadrinista?

Meu nome é Júlio César Magalhães, assino Júlio Magá. Trabalhei muitos anos na área comercial e me dedicava aos free-lancers nas horas vagas. No momento estou administrando o estúdio e desenvolvendo meus personagens e projetos.

Quando e como foi aquele “estalo” em que você decidiu que histórias em quadrinhos eram aquilo que você queria fazer pelo resto da sua vida?

Ah… esse ” estalo” foi precisamente em 1986, eu tinha 14 anos e junto com um amigo editava um fanzine chamado X-Salada. Era muito divertido e estimulante. Acho que depois de escrever roteiros, editar é a parte mais divertida do processo. O fanzine tinha o nome de X-Salada pois era uma mistura de diversos personagens, HQS e convidados como Márcio Baraldi, Cedraz, Moacir Torres (que arte-finalizou nossas capas e nos deu muitas dicas no início). Outro momento marcante foi quando fui roteirizar HQs na editora Abril. Conheci o mestre Primaggio, que me deu um grande oportunidade de escrever quadrinhos: Trapalhões, Alegria, Luluzinha, Bolinha, Pato Donald. Conheci muitos grandes desenhistas! Entre eles, Gustavo Machado, que é um monstro/mestre nos quadrinhos infantis.

esteira (2)

Como nasceu o Casca Grossa ?

Antissocial, mal humorado e sarcástico – esse sou eu… opa…esse é o Casca Grossa. Era uma vez um jovem casal que decide ter um bicho de estimação; como os dois trabalham muito e não teriam tempo para dedicar a um cachorro, gato ou um peixinho dourado então decidem comprar um … jabuti! Quando o casamento de seus donos vai pra cucúia, Casca Grossa fica com a mulher, Júlia, e as tiras têm início a partir daí.  No início da tira ia abusar do nonsense e fazer o Casca Grossa interagir com todos ao redor….como se ele fosse uma pessoa normal (o fato de ele ser um jabuti não seria relevante…tipo a Pantera Cor-de-rosa), as tiras que ilustram essa entrevista eram as primeiras criadas com esse conceito.

Quais quadrinhos você curte hoje em dia?

Gosto dos quadrinhos europeus, mas leio de tudo um pouco: heróis, mangá e tiras. E não perco nenhum novo quadrinho do Spacca! Mas não tem nada que tenho acompanhado periodicamente. Leio Social Comics também.


CG_001-515 (2)

Quais artistas influenciaram o seu trabalho?

No meu estúdio tenho duas estantes para guardar quadrinhos e outras referências.  Uma fica mais próxima da minha prancheta e é nela que estão Barks, Uderzo, Morris, Spacca, Mignola, Gustavo Duarte, Laerte, Schulz, Watterson, Quino, Moebius, Jeff Smith entre outros.

Como é seu dia a dia de quadrinista?

Chego cedo ao estúdio, respondo aos e-mails, e vejo qual será o prato do dia: logotipos, quadrinhos, ilustração,storyboard, roteiros, caricaturas ou algum trabalho para publicidade.

 

tira judo (2)

Conte pra gente um pouco do seu processo criativo. Onde você vai buscar suas ideias, com quais materiais você trabalha (lapiseira, nanquim ou é tudo digital?)?

As ideias vem de vários lugares, livros, quadrinhos, cinema, TV e observações do dia a dia…algumas ideias funcionam, outras não…e na maioria das vezes funcionam só para mim (risos). Eu procuro anotar as ideias, frases ou conceitos em rascunhos e guardar. Quando chega o momento de desenhar já tenho algum ponto de partida. Quanto aos materiais, para mim nada vai substituir uma lapiseira e uma folha sulfite em branco para esboçar um desenho, é uma liberdade incrível… depois desse processo passo a limpo em uma mesa de luz, escaneio e faço a arte-final, letras e cores em uma mesa digital uso os programas AI (Adobe Ilustrator), Manga Studio e Photoshop.

Que dicas e orientações você pode dar pro nosso leitor e pra quem quer trabalhar com HQs?

Ao meu ver vivemos uma cena no quadrinho nacional muito ambígua. Nunca surgiram tantos autores e bons quadrinhos e nunca o mercado foi tão retraído! Por um lado os independentes conseguem publicar via crowdfunding, incentivo do governo (ProAc, no Estado de São Paulo) ou pequenas tiragens em gráficas rápidas com recursos próprios. Existem eventos por todo o Brasil para o público Geek e os quadrinhos também vendem nesses eventos, e ainda as redes sociais, blogs, sites, streaming (Social Comics) , que possibilitam editar e divulgar seus quadrinhos (web comics).

Por outro não vejo editoras dispostas a arriscarem algo a longo prazo, alguma produção que você vá até a banca e acompanhe mensalmente.  Isso criaria um mercado, seriam formadas equipes de produção. Até meados dos anos 90 ainda tínhamos a Circo Editorial, Abril, Globo entre outras, nas quais ou haviam títulos nacionais ou equipes que produziam quadrinhos para personagens estrangeiros. Somente com essas condições poderíamos trabalhar exclusivamente com quadrinhos!

A dica para os leitor é: descubra sua praia no universo dos quadrinhos: é mangá? É heróis? É infantil? É humor? Depois estude os mestres, todos, de todas as áreas. Isso, além de livros de anatomia, perspectiva e linguagem dos quadrinhos. Monte um portfólio e ouça com atenção e humildade profissionais da área.

Pra terminar, caro aspirante, deixo uma frase de Fernando Pessoa: “Esperar pelo melhor e preparar-se para o pior; eis a regra.”

 

Confira também este jornal.

 

Comprar