Nomes para o universo do seu gibi

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Nomes para o universo do seu gibi

 

Em se tratando de uma história em quadrinhos, gibi, graphic novel e afins, uma das coisas mais difíceis consiste na criação dos nomes.

Parece tranquilo… para escritores preguiçosos. Eles batizam um planeta, um povo, personagem de ficção científica/fantasia, batendo nas teclas aleatoriamente. Assim, temos o planeta Dsuethsn, onde moram os Gdvxyi´kh, e Fsfsfsfs é seu imperador.

De criativo isso não tem nada.

Você pode também apelar pro ouvido e bolar nomes sonoros. Há um certo perigo nisso: podemos sem querer esbarrar em um palavrão em outra língua. Lembra-se do Sifo Dyas e do Conde Dooku, que precisaram ser rebatizados aqui no Brasil?

Ou do Capitão Panaka?

E do Capitão Panaka, você lembra?

Então vamos lá: dicas para dar nomes aos bois do seu gibi

1) Crie uma ligação entre nome e personagem (ou local)

Mamãe Loba, Rômulo e Remo. faltou o Mogli.

Mamãe Loba, Rômulo e Remo. Faltou o Mogli.

Quem leu Harry Potter percebeu as brincadeiras da autora, JK Rowling, com alguns personagens. Sirius Black, tio e padrinho do herói, tem o nome da constelação do cão aliado ao sobrenome “Negro” (em inglês). Reparou que ele se transforma em um cachorro preto? O professor lobisomem tem o sugestivo nome de Remus Lupin – na lenda, Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba. E Lupin tem uma proximidade linguística com lupine, que é “lupino”, ou “relativo a lobo”.

Com base nisso, tente entender Lucius Malfoy, Draco Malfoy, Ginevra Wesley, Fleur Delacour e Voldemort.

 

Um bom exercício é tentar descobrir os motivos das denominações de cada personagem desse filme

Um bom exercício é tentar descobrir os motivos das denominações de cada personagem desse filme

2) Estabeleça um padrão

Todo mundo conhece a mania de Stan Lee de dobrar as iniciais de personagens: Peter Parker, Reed Richards, Bruce Banner, Matt Murdock, J. J. Jameson, Curt Connors, Robby Robertson etc. Stan se justifica dizendo ter memória curta e que tal subterfúgio ajuda a lembrar. Não importa: ele padronizou um esquema que facilita a criação, embora alguns tenham escapado: Gwen Stacy, Tony Stark, Ben Grimm, Harry Osbourne, Buck Jones e quantos você puder se recordar.

 

Osamu Tezuka. Esse criou padrões que perduram até hoje!

Osamu Tezuka. Esse criou padrões, inclusive visuais e de editoriais, que perduram até hoje!

 

Osamu Tezuka, no mangá A Princesa e o Cavaleiro, batizou os mocinhos com nome de pedras preciosas, e os vilões, com material sintético. Safiri, Opal, Plástico, Nylon, Duralumínio. Os reinos principais são a Terra de Prata e a Terra De Ouro. Sem contar a brincadeira com o par romântico da mocinha, o príncipe Franz Charming. Se você não sabe, Príncipe Encantado, em inglês, é Prince Charming.

 

Opa. Acho que exageraram um pouquinho na padronização...

Opa. Acho que exageraram um pouquinho na padronização…

A padronização facilita. Pense numa aldeia em que os habitantes tenham nomes de corredores de Fórmula-1: Nelson, Emerson, Rubens… Um amigo bolou uma nave estelar onde os tripulantes foram batizados de acordo com personagens do Bruce Willis: tenente McClane, imediato Addison, sargento Fallow, soldado Crowe etc.

Só não dê muito na cara, tipo, no seu gibi existe um grupo de soldados com sobrenomes de roqueiros famosos!

No meu álbum Rastreadores, usei padrões mais sutis. Os dois personagens principais se chamam Bovinio del Toro e Giovanni Mantovani. Destrinchando os motivos desses nomes: Bovinio, ou Vini, é forte como um touro (e tão inteligente quanto). Seu pai se chama Taurinio. O nome completo de Giovanni é uma rima só: Giovanni Armani Taviani Mantovani. O senador que os contrata, apresenta a missão por meio de porta-retratos, e chama-se Nicéforo Daguérre (dois precursores da fotografia); a neta do ladrão da taça Jules Rimet se chama Juliette.

 

Álbum em 3D (2)

 

Em O Extracurricular optei por uma sutileza ainda maior. Um dos bullies tem o nome de dois vilões da literatura: Jaime Freston (James Moriarti, de Sherlock Holmes e o feiticeiro em Dom Quixote). O enfermeiro da escola é argentino e tem um sobrenome que lembra espanhol (Urtiga é quase Ortega); a japonesinha por quem Jaime se interessa é Fushiko (nome que soa como Keiko e Mariko… sim, apesar de terminarem em “o”, são nomes femininos. Padrão japonês!); a madre superiora, embora católica, é chamada de Iceberg, que mais parece judeu.

 

Lembram desse personagem, o Super Sincero? Não lembro se tinha nome... e se ele se chamasse FRANCO, não seria legal?

Lembram desse personagem, o Super Sincero? Não lembro se tinha nome… e se ele se chamasse FRANCO, não seria legal?

 

3) Evitar clichês também faz bem

Sei que o gibi é seu, mas contenha seu ímpeto de batizar personagens, lugares ou povos criando cacófatos. Edu K. Tivo, Gabriela Mentável, Walter Nura, Juca Rapato. Sinceramente? Isso já perdeu a graça. A menos que esteja mirando um público-alvo bem infantil.

Walt-Disney

4) Carta na manga

Quando não me vem à mente nenhum nome que diga algo sobre a personagem, apelo para a redundância. Rubra Carmesim, se a moça for ruiva. Um padre chamado Benedito Bento. Uma vilã dissimulada, conhecida como Monalisa Gioconda.

Semana que vem, vou dar dicas para os títulos das suas histórias, tá?

 

Abraços e até!

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