5 formas de criar a identidade visual de um personagem

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5 formas de criar a identidade visual de um personagem

 

 

Para um personagem, além do perfil psicológico, a aparência é uma das características mais importantes. Ela precisa ser condizente com a personalidade dele, com seu estilo de vida e sua profissão. Embora não pareça, trata-se de uma das partes mais difíceis e, paradoxalmente, mais divertidas do processo de criação.

Vamos, então, para algumas orientações que podem facilitar seu trabalho com os personagens

1) Usando animais

Will Eisner dizia ser mais fácil tomar animais por base para fazer rostos. Aves, por exemplo, geram pessoas com narizes pontudos ou aquilinos. Esse tipo de recurso, além de agilizar seu trabalho, transmite a essência dos personagens.

Animals

Ao utilizar personagens assemelhados a animais, o quadrinista aproveita um resíduo de antigas experiências humanas, a fim de personificar os atores mais rapidamente. Extraído do livro “Narrativas Gráficas” de Will Eisner

2) Baseando-se em alguém que existe

Alguns quadrinistas adoram esse recurso, principalmente os italianos. Dylan Dog tem o rosto inspirado no ator Rupert Everett; Ken Parker veio de Robert Redford; Julia Kendall deriva da atriz Audrey Hepburn;  os franceses escolheram Brigite Bardott para dar vida a Barbarella e Jean Paul Belmondo para o Tenente Blueberry.

Alguns dos exemplos mencionados.

Alguns dos exemplos mencionados.

Como exemplo pessoal, usei um Johnny Depp adolescente para meu personagem Jaime Frestone. Precisava de um jovem atraente, com rosto um pouco exótico, mas não quis que ficasse 100% parecido com o ator.

Há também inúmeros casos de autores que emprestam o próprio rosto ao personagem e entram na história. Ou colocam amigos, conhecidos e parentes fazendo “pontas”.

Se você pesquisar a fundo, na certa encontrará muitos exemplos além desses.

3) O hábito faz o monge

Muitas vezes a solução mais eficiente é usar o óbvio. Seu personagem é advogado? Paletó e gravata nele! É um adolescente que curte rock? Camiseta de banda, tênis e jeans parecem opções interessantes. Gosta de misturar estilos? Barba, cabelo comprido e chapéu de cowboy. Uma espiã que fica irreconhecível com seus disfarces? O céu é o limite!

Digamos, um sujeito com treino de ninja deve trajar vestimentas bastante discretas, para não chamar a atenção

Um sujeito com treino de ninja deve trajar vestimentas bastante discretas, para não chamar a atenção

 

4) O hábito não faz o monge

Seu personagem não é um profissional comum? Ele detesta ser mais um na multidão? Então esqueça o convencional, dê as costas aos clichês e crie algo que surpreenda. Um espião magrelo, de óculos e aparência frágil, lutador de artes marciais; uma garota linda, com jeito de patricinha mas na verdade uma hacker perigosa que adora mangás e animês. Entendeu? Agora o resto é contigo.

Clifton, uma mistura de James Bond com Sherlock Holmes e Baden Powell

Clifton, uma mistura de James Bond com Sherlock Holmes e Baden Powell

5) Os secundários também merecem atenção!

Na criação do visual dos seus personagens, entenda que, por mais que você os faça diferentes em tudo, se fizer diferente demais, pode acabar caindo no chamado erro de estilo.

Talvez você se lembre de um desenho chamado “O Mundo Fantástico de Bobby”, em que um menino muito criativo viajava na maionese. Reparou que o Bobby tem cabeção, pés e mãos enormes, ao passo que os demais personagens estão num estilo mais “comportado”? A impressão que eu tenho é que o autor gosta demais do protagonista pra perder o tempo dele no restante do elenco. Reparem como o Bobby destoa dos outros. Parece um hobbit entre elfos.

Fora das proporsão

O ERRÁTICO mundo de Bobby

Bem diferente, por exemplo, dos Simpsons ou de Tintim, que apresentam um padrão. Ninguém, ali, parece um intruso no mundo deles.

6) Pesquisa de campo

Sempre podemos contar com bibliotecas e com a internet pra nos darem uma mãozinha quanto ao visual de personagens – principais ou secundários. Agora, se você quiser um material mais consistente e tiver tempo, pegue uma prancheta, várias folhas, lapiseira e borracha e passe algumas horas sentado em algum lugar com bastante movimentação de pessoas. Pode ser um shopping center, uma avenida principal de cidade grande. Pessoas dos mais diversos tipos, cabelos, roupas e etnias surgirão e servirão como base para sua pesquisa.

Peço apenas que você aja de forma discreta e rápida na “cópia” dessas pessoas. Nem todo mundo gosta de ser desenhado sem autorização!

Ahá! Aqui eu posso aproveitar da diversidade das pessoas pra desenhar personagens!

Ahá! Aqui eu posso aproveitar da diversidade das pessoas pra desenhar personagens!

 

Bom, essas foram as dicas desta semana. Espero que tenha gostado. Aproveite e mãos à obra!

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