Citação, homenagem e referência no seu gibi

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Citação, homenagem e referência no seu gibi

Se você está mesmo a fim de seguir essa tendência atual de muito gibi por aí, faça isso com inteligência (rimou!). Mas permita-me primeiro algumas considerações.

A homenagem que está no gibi!

Um professor de cinema, na faculdade, disse certa vez: “Quando o plágio é descarado, a gente chama de homenagem”. Dentro dessa definição, toda e qualquer cena repetida em outra obra vira homenagem. Muda-se o contexto, talvez. No entanto, lá está o repeteco.

A primeira vez que vi isso na vida foi no filme Os Intocáveis (1987). No começo da carreira, o diretor Brian de Palma vivia plagiando/homenageando o também cineasta Alfred Hitchcock. Nesta película, porém, de Palma pegou dois elementos do filme O Encouraçado Potemkin (1925), do russo Sergei Eisenstein, para criar uma tensão a mais na sequência do tiroteio na Estação Ferroviária: o carrinho com o bebê descendo, sem controle, escadaria abaixo.

O escorraçado BINGULIM

O original e a cópia, digo, homenagem!

 

A referência que está no gibi!

Em se tratando de referência,  a menção tanto pode se dar de forma sutil como escancarada. Veja esta HQ do Batman, publicada aqui pela Abril em 1988 com o nome de “Como Pegar um Gato”: o desenhista Alan Davis inseriu, embora discretamente, um trio que poderia se chamar “a versão maligna dos Três Patetas”.

3 pateta do mal

 

A referência que está no… álbum!

Açterix 1

Asterix Legionário cita A Jangada de Medusa, de Theodore Gericault

Açterix 2

Desta vez, no álbum O Adivinho, o citado foi Rembrandt, em seu quadro Lições de Anatomia. Repare como Asterix olha para o leitor com cumplicidade, como se soubesse o que seus autores estão fazendo…

Esta, para mim, é uma das mais discretas: Spirou em Moscou. Os heróis entram em uma festa à fantasia na embaixada francesa de Moscou. Os convidados são obrigados a debandar, e… Preste atenção no quadrinho porque a dica eu passei antes!

Outra vez?

Outra vez?

Mas, atenção…

Citações criam um efeito cômico, quebram o clima da história ou evocam respeito a obras de terceiros.  Só que há alguns problemas no uso dessa “ferramenta”. Os quadros citados em Asterix, por exemplo, não dizem nada para quem não os conhece. Por outro lado, você concorda que as referências a filmes e outros quadrinhos acabam deixando uma obra datada e tendem a perder a graça com o passar do tempo?

Por isso, você pode, também, dar umas aulas ao leitor nas entrelinhas.
Veja o exemplo abaixo. O Entrincheirado Hans Ribbentrop, de Luís de Abreu e José Duval, para mim uma das HQs brasileiras mais divertidas e infelizmente menos conhecidas que temos.

Hans Ribbentrop é um salsicheiro alemão que vira soldado na Segunda Guerra Mundial. Tão lesado quanto o Groo, e causa tanta confusão quanto. Pois bem, neste trecho da história, ele sofre lavagem cerebral e acredita ser um tremendo piloto. Pega um avião e ataca, não os inimigos, e sim compatriotas. A certa altura do combate, os autores fazem uma citação e explicam de onde veio. O leitor mais esperto pode se interessar por Roy Liechtenstein.

 

wham

 

Para encerrar…

Em minha obra O Extracurricular Cucaracha, faço várias citações de rock. No quadrinho abaixo, você consegue identificar a citação/referência/homenagem roqueira?

Gimióucein

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