Descubra a civilização que criou a revista de quadrinhos

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Descubra a civilização que criou a revista de quadrinhos

These flame-like speech balloons suggest the “cat people” were roaring or chatting angrily; changing the shape speech balloon is commonly used to express emotion in comics today, using a cloud shape to represent private thoughts or a jagged-shape to capture the discordant notes of a scream. (Credit: Justin Kerr)

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Nem Yellow Kid, nem Rodolphe Töpffer: A primeira revista de quadrinhos surgiu com a civilização maia!

Um jarro de leitura

Imagine pegar um jarro em cuja pintura você poderia ler uma história em imagens conforme o girasse. Entre os séculos VI e IX antes de Cristo, um maia que fizesse isso estaria apreciando uma “proto-HQ”. Eram considerados utensílios tão valiosos que, trocavam-se para facilitar negociações políticas e alianças.  Segundo Soeren Wichmann, da Universidade Leiden, na Holanda, “Tratava-se de arte da mais alta qualidade naquela época. Hoje em dia, há pessoas que torcem o nariz diante de uma revista de quadrinhos”.

Wichmann escreveu pela primeira vez sobre essa arte sequencial num ensaio denominado America’s First Comics. Esse ensaio foi atualizado como capítulo do livro intitulado The Visual Narrative Reader (O Leitor da Narrativa Visual). O estudioso salienta que, diferentemente da revista de quadrinhos moderna, a maioria das “novelas gráficas maias”. Descreve algumas poucas cenas de histórias conhecidas – ou seja, os leitores já estavam familiarizados com a sequência toda.

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Um professor idoso corrigindo os alunos. Repare, mais à direita, na linha que liga a boca ao discurso escrito. Esse tema pode ter surgido em 650 a.C., e pode ser considerado um parente bastante próximo do balão de fala (adaptado de Justin Kerr).

Semelhanças de linguagem e iconografia

Sem dúvida, pode-ser enxergar um tipo de narrativa visual em pinturas pré-históricas de cavernas; Wichmann, porém, acredita que as cenas dos jarros maias têm uma impressionante semelhança com as HQs da atualidade – inclusive a forma como representam a fala, o movimento, odores ruins, animais engraçados e piadas maldosas. “Temos a reunião de todos esses mecanismos – estamos perto de algo bastante assemelhado a uma revista de quadrinhos.”

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Atletas em um jogo de bola. As linhas curvas ao redor dos corpos podem representar velocidade e movimento. Temos, assim, uma imagem dinâmica, como se fosse, por exemplo, alguém correndo (adaptado de Justin Kerry).

Esses estranhos paralelos nos surpreendem. O editor de Visual Narrative Reader, Neil Cohn, da Universidade da Califórnia, San Diego, lembra que a comunicação por meio de narrativas visuais pode ser tão comum quanto falar ou gesticular com as mãos; devemos, de fato, encará-las como outras formas de linguagem. Assim como a comunicação pela fala ou por sinais, Cohn acredita que cada linguagem visual tenha seu vocabulário e gramática próprios.

Na pré-história australiana também havia quadrinhos

Em todo o mundo isso pode ser visto: tanto nas revistas de quadrinhos americanas quanto nos mangás, Neil Cohn descobriu regras distintas para o desenvolvimento de histórias.  Os Arrernte, aborígenes australianos, apresentam uma série de signos complexos desenhados na areia nas histórias orais. Estas também obedecem a uma “gramática” distinta. Cohn acredita que, embora os desenhos dos jarros maias se pareçam com HQs modernas, eles também seguem suas próprias regras.

Ainda assim, algumas semelhanças chamaram-lhe a atenção; metáforas visuais, como o fogo, ainda são utilizadas para expressar uma emoção. Isso, tendo em vista uma cultura de séculos atrás. “O fato de a raiva estar associada ao fogo nas narrativas maias, assim como na nossa fala e nossos desenhos, mostra como criamos essas formas de ideias abstratas.”

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Balões de faça em forma de fogo sugerem que dois gatos humanoides estão rugindo ou tendo uma conversa acalorada. É normal mudar o formato dos balões de acordo com as emoções: “nuvem” indica pensamento;  “rodeado de pontas” mostra o grito do personagem (adaptado de Justin Kerr).

 

Distantes tempos em que uma narrativa sequencial tinha o merecido tratamento: o de uma obra de arte.

Fonte: http://www.bbc.com/future/story/20160216-did-the-maya-create-the-first-comics

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