Como Diagramar suas HQs – Parte 2

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Como Diagramar suas HQs – Parte 2

Semana passada, você conheceu Rodolphe Töpffer, um dos precursores dos quadrinhos, nascido na Suíça. Depois, acompanhou os primórdios das HQs no século XX, nos Estados Unidos.

Enquanto isso, como ia a Nona Arte do outro lado do oceano, nessa mesma época?

Você com certeza sabe o que ocorria na Europa nos anos 1930-1940: a Primeira Guerra Mundial causou tantos problemas que estes acabaram gerando a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, proibiu-se a importação de quadrinhos dos EUA. Qual a solução que alguns editores encontraram? Continuar a produzir localmente as histórias interrompidas!

Continuando… a História da História em Quadrinhos

A revista belga BRAVO, por exemplo, impedida de publicava o Flash Gordon de Alex Raymond, passou o bastão para o quadrinista Edgar P. Jacobs!

Flash Gordon: o de cima é de seu autor, Alex Raymond; o de baixo é a versão francesa de Edgard P. Jacobs

Flash Gordon: o de cima é de seu autor, Alex Raymond; o de baixo é a versão belga e genérica de Edgar P. Jacobs

Quando o conflito acabou, os artistas locais haviam aprimorado tanto seu trabalho que decidiram produzir material próprio. Principalmente os franceses, espanhóis, italianos e belgas. Jacobs, “substituto” de Raymond,  criou sua própria série, Blake & Mortimer.

Apesar da diversidade de temas, a diagramação desenvolvida na época não variava muito: cada página trazia o equivalente a quatro tirinhas de jornal.

De onde surgiu o termo “banda desenhada”?

Segundo este artigo, em parte gentilmente traduzido pelo amigo PH Tujaviu, o jornal Le Populaire já fazia uso da expressão antes da Segunda Guerra Mundial.

Em 1949 , porém, o termo ganhou força: o periódico francês La Nouvelle République, anunciando uma história do Capitaine Fracasse, referiu-se a ela com uma banda desenhada (ou BD). Era, digamos assim, a estreia oficial do nome. Antes, as HQs eram chamadas de série illustrée ou histoire illustrée.

Capitaine Fracasse: seria seu autor o responsável pela popularização do termo "banda desenhada"?

Capitaine Fracasse, de Émile Jaquemin: seria seu autor o responsável pela popularização do termo “banda desenhada”?

Não há como afirmar com 100% de certeza. O mistério pode estar ligado aos estúdios do jornal, responsáveis pela publicidade e arte. O artista Émile Jaquemin desenhava em bandas (faixas) verticais. Teria ele unido os dois termos e criado a expressão banda desenhada?

Sabemos apenas que, do dia para a noite, o La Nouvelle République passou de “votre série illustrée” para “première bande dessinée”. Em Portugal usa-se a expressão francesa, além do termo histórias aos quadradinhos.

Esse estilo de diagramação valia para todo tipo de quadrinho, fosse este sério ou humorístico, como se vê a seguir.

Diagramação europeia básica

Diagramação europeia básica

 

Observe esta página de Asterix. No canto direito inferior da segunda tira (ou banda) há um número e uma letra. Na quarta banda também. Isso porque o artista desenha duas bandas por vez, num papel A3.  Em seguida, elas são montadas e transformadas numa só página do álbum. Muitos quadrinistas do Velho Mundo mantêm-se fiéis a esse formato até hoje.astericus

Bem diferente, por exemplo, de certos quadrinhos italianos – conhecidos como fumetti – cujo “jeitão” se aproxima mais do modelo americano.  Especialmente as publicações da Editora Bonelli. Aqui, a mudança fica por conta da quantidade de páginas: por volta de cem por mês!

Nathan Never, de Medda, Serra & Vigna

Nathan Never, de Medda, Serra & Vigna

Houve, no entanto, uma turma que decidiu experimentar novas formas de composição de página. Foi o que aconteceu nos anos 1970, com a publicação de quadrinhos francesa Metal Hurlant. Na semana que vem eu juro que conto esse ocorrido com mais detalhes ! Até lá.

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