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Como Diagramar Suas HQs – Parte 3

Apesar de sua popularidade, as HQs, via de regra, sempre foram vistas como “coisa de criança”. Mesmo as de terror, guerra, faroeste ou romance. Desde Will Eisner, muitos artistas desejavam produzir HQs de conteúdo mais adulto. Os anos 1960 acabaram, de certa forma, propiciando isso.

As HQs a partir da década de 1960

Nos anos sessenta do século XX, o mundo ocidental vivia um ambiente de contestação, politização e experimentações. Experimentação é, aqui, a palavra chave. Quadrinistas como Neal Adams, querendo sair da diagramação típica  “2 por 6” ou “3 por 9”, ousavam na composição das páginas, com resultados bem interessantes.

Deadman

Deadman, de Neal Adams.

Na Europa, quadrinistas interessados em romper com o padrão ditado pelos líderes do mercado, seguiram por um caminho semelhante: HQs de cunho mais adulto e adeus à “diagramação das quatro tirinhas”. Chegavam-se a resultados semelhantes aos dos quadrinhos americanos, mas com um espaço de página mais amplo para trabalhar.

Barbarella, de Jean Claude Forest

Barbarella, de Jean Claude Forest

Dentro dos quadrinhos ocidentais, um dos que mais viajou na diagramação foi Guido Crepax com sua Valentina. Veja abaixo essa sessão de fotos: praticamente uma edição “estilo videoclipe” transposta para os quadrinhos!

Valentina, de Guido Crepax

Valentina, de Guido Crepax

Em  janeiro de 1975, três profissionais das HQs decidiram lançar uma revista voltada à ficção científica e à fantasia. Do projeto de Jean Giraud,  Phillipe Druillet (quadrinistas) e Jean Pierre Dionnet (escritor), nasceu a Metal Hurlant. Giraud assumiu novos estilo e técnica, passando a assinar Moebius. Dois anos antes, Giraud/Moebius já vinha namorando essa mudança. A Metal Hurlant serviu como empurrãozinho na direção certa.  A esse trio foram se juntando mais quadrinistas.

A iniciativa deu tão certo que, pouco depois, havia uma versão americana, chamada Heavy Metal – provavelmente você deve conhecê-la mais do que a original francesa.

Frank Margerin, artista que se juntou aos grandes quadrinistas da Metal Hurlant

Frank Margerin, artista que se juntou aos grandes quadrinistas da Metal Hurlant

 

Chega de história das HQs por hoje. Vamos à prática?

Antes de tudo você precisa escolher a média de quadrinhos por página para trabalhar. Máximo de 6 ou 8? Pretende assumir a diagramação clássica europeia?

Feita essa escolha, é preciso pensar a página com começo, meio e fim. Tenha sempre em mente: Em diagramação, tudo é intenção. Se você deseja passar uma informação importante ao leitor, deixe-o curioso. Lembro-me de uma história do Super-homem em que ele, após prender um criminoso, precisava depor como testemunha de acusação. Para isso, porém, ele tinha que dizer seu nome. “Super-Homem” era considerado apenas um apelido. Caso não pudesse falar em seu nome, o criminoso sairia livre.

AAAH, moleque! E agora?

AAAH, moleque! E agora?

O Super ficou o resto da aventura pensando em como resolver a situação. Na audiência, quando teve que se pronunciar, no último quadrinho da página, ele dizia: “E faço essa acusação em meu nome…”

(O leitor, nesse momento, está subindo pelas paredes! Xi! Como sair dessa?)

Virada a página, no primeiro quadrinho, eis a resposta: “… Jor-El Segundo, do planeta Krypton!”

Ufa! Que alívio! Ele não disse “Clark Kent”!!! O quadrinho é dos anos 50, portanto ele não se chamava AINDA Kal-El.

Entendeu? Você precisa compor cada página de modo a fazer com que o leitor sinta uma vontade incontrolável de seguir adiante. Uma dica boa que eu recebi recentemente: deixe as revelações mais importantes para as páginas pares!

Espero que você tenha curtido. Semana que vem eu falo sobre os mangás!

 

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