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Como Diagramar Suas HQs – Parte 4

Mangás…

Deixei para falar sobre os quadrinhos japoneses por último, pois, sinceramente, conheço pouco sobre a modalidade. Se eu disser alguma bobagem, peço desculpas antecipadas.

Mangá: a influência MADE in JAPAN

Em termos de composição de página, considero os mangás mais cheios de criatividade e liberdade do que  a maioria das HQs de outras nacionalidades. Artistas nipônicos elaboram páginas com um tema de fundo enquanto a sequência dos quadrinhos vai se desenrolando.

Kze to Ki no Uta, de Keiko Takemiya

Kze to Ki no Uta, de Keiko Takemiya

Um(a) personagem em “destaque” no canto da página – talvez para buscar um efeito de travelling vertical ?

The Testament of Sister New Devil, de Miyakokasiwa

The Testament of Sister New Devil, de Miyakokasiwa

O descompromisso com as formas quadradas dos quadrinhos. Vai ver que é porque mangá significa, ao pé da letra, “palavras rebeldes” ou “imagens involuntárias”.

Naruto, de Masashi Kishimoto. Repare que as molduras dos quadrinhos não ficam limitadas às págibas

Naruto, de Masashi Kishimoto.
Repare que algumas das molduras dos quadrinhos “vazam” das páginas

Sem contar que os quadrinistas japoneses têm, à sua disposição, dezenas e dezenas de páginas para contar suas histórias, tornando o ritmo ora lento, ora rápido… Assim, os mangás conseguem se aproximar da linguagem do cinema bem mais do que os quadrinhos ocidentais.

Não há como negar a influência que eles tiveram sobre as HQs do resto do mundo. Soluções gráficas como “fundo riscado” (visto no quadrinho 4, à direita, na imagem anterior) para transmitir a ideia de velocidade; o traço “mangalizado” de artistas como  Joe Madureira e Ben Dunn nos EUA e José Luis Munuera, na França. Ben Dunn, com sua série Ninja High School, criou o chamado American Mangá.

 

Joe Madureira, o homem que mangalizou os X-Men

Joe Madureira, o homem que mangalizou os X-Men

Munuera, que trouxe sua influência aos europeus Spirou e Fantásio (in O Homem que Não Queria Morrer - roteiro de Morvan)

Munuera, que trouxe sua influência aos europeus Spirou e Fantásio (in O Homem que Não Queria Morrer – roteiro de Morvan)

Ninja High School, de Ben Dunn

Ninja High School, de Ben Dunn

O ritmo de certas páginas da HQ “RED”, praticamente uma câmera lenta em quadrinhos, deve-se, em certa medida, às HQs japonesas, ou não?  Alguém sabe se algum storyboard de filme chegou a tamanho atrevimento?

RED, de Warren Ellis e Cully Hamner. Recuso-me a escrever o subtítulo brasileiro!

RED, de Warren Ellis e Cully Hamner. Recuso-me a escrever o subtítulo brasileiro!

Pra encerrar com chave de ouro

Este texto estaria incompleto se não mencionasse a obra Ronin, de Frank Miller. Juntando a linguagem dos mangás com cenários futuristas europeus a lá Moebius, Miller ajudou a popularizar os quadrinhos japoneses no mundo ocidental.

Ronin, de Frank Miller

Ronin, de Frank Miller

E não parou por aí! Ronin foi um ensaio para sua obra mais conhecida: Batman, o Cavaleiro das Trevas.

Batman, o Cavaleiro das Trevas

Batman, o Cavaleiro das Trevas

Moral da História (em quadrinhos)

Estude quadrinhos de todos os países. Ainda não li nada da Índia ou da Austrália, por exemplo. Bem que gostaria. Quanto mais HQs diferentes você tiver acesso, melhor. Absorva o que achar interessante. Assimile, não copie! Os coreanos, por exemplo, criaram o manhwa, que nada mais é que o mangá deles. Um exemplo desse manhwa é Chonchu, já publicado no Brasil.

Espero que tenha gostado. Nos falamos na semana que vem!

 

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