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Como diagramar suas HQs

Um pouco de história das HQs com dicas de composição de páginas

Dentro do tema HQ existe um assunto bastante complexo e ao mesmo tempo é o alicerce dos quadrinhos: justamente a maneira de contar uma história usando palavras e imagens.

No século XIX, o suíço Rodolphe Töpffer  foi um dos primeiros, senão o primeiro, a combinar ambos elementos. Filho de um pintor, Töpffer se destacou em sua época como poeta, romancista, jornalista, crítico de arte e professor universitário. Claro, também gostava de desenhar. A uma certa altura de sua vida, o acadêmico decidiu abrir um colégio interno. Foi quando começou a desenvolver, por pura diversão, protótipos das futuras histórias em quadrinhos.

 

Rudy Töppfer, o feliz, 2...

Rodolphe Töppfer

Perceba que apesar do traço caprichado e detalhista, o trabalho se resume mesmo a desenhos e texto. Em teoria, o mesmo que Hal Foster fará nos anos 1930, com seu Príncipe Valente – claro que em outra escala.

Príncipe Valente de Hal Foster

Príncipe Valente, de Hal Foster, combinando imagens e texto.

Durante as primeiras três décadas do século XX, os quadrinhos assistiram um crescimento em termos de temas, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Havia histórias de humor, de aventura, de ficção científica, guerra, terror, romance, policial e super-heróis. Apesar da diversidade, a composição das páginas das HQs não saía muito do esquema “desenhos e texto”. O máximo de revolução ocorrida foram o uso dos balões de diálogo e as onomatopeias.

Então apareceu Will Eisner. Como Töpffer, Eisner era filho de um pintor, e juntos trabalhavam, produzido ilustrações e faixas. Aos 22 anos, Will Eisner (conheça um pouco desse gênio aqui) comandava um estúdio com diversos artistas que produziam histórias em quadrinhos para várias editoras. Apaixonado pela nova mídia, gostava de enxergá-la como expressão artística. Sempre procurou formas inovadoras de trabalhar com ela. Com seu Spirit, Eisner trouxe novos elementos às HQs: luz e sombra, enquadramentos cinematográficos, ousadia na composição das páginas. Basta olhar o exemplo abaixo para perceber.

Will Eiser, Algo errado (Foul Play) - HQ do ESpírete!

Will Eisner, Algo Errado (Foul Play)

Essas, digamos assim, soluções gráficas criadas por Eisner servem de base ainda hoje para a maioria dos quadrinistas norte-americanos. Frank Miller, em Batman, o Cavaleiro das Trevas, é um claro exemplo da forte influência desse artista, influência essa que ele sempre admitiu.

Darquinaite do Miller

Batman, o Cavaleiro das Trevas (Batman – The Dark Knight Returns, de Frank Miller)

Gostou? Isso é apenas o começo, afinal, estamos ainda nos anos 1930, 1940… e eu nem comecei a falar das diagramações dos mangás, dos quadrinhos europeus e a busca dos efeitos destas no leitor.

Conto com você na semana que vem!

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