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Da importância do letreiramento nos quadrinhos (2).

 

 

Oi! Semana passada falamos dos balões e sua diagramação nas histórias em quadrinhos. Hoje falaremos sobre a outra exclusividade dessa mídia: as onomatopeias.

Onomatopeias: roubando a cena nos quadrinhos

Como quadrinista, confesso que sinto uma certa dificuldade com as onomatopeias. Principalmente na hora de colocá-las no local mais apropriado, seja numa posição que dê a entender de onde ela se origina, seja num lugar que transmita o timing correto dentro da narrativa.

As onomatopeias, às vezes, têm mania de roubar a cena, essas danadinhas. A melhor forma de mostrar como elas funcionam é dando alguns exemplos.

Exemplos nas HQs!

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1) Aqui, por exemplo, a agulha da injeção entrou na pele. Como se trata de um barulho praticamente inaudível, a onomatopeia enfatiza a ação. TUNC! Note também que ela se coloca depois da agulhada.

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2) Neste outro caso, ela foi colocada sobre a cabeça do pobre personagem. É como se o outro, atrás, em vez de acertado uma pancada com a mão, tivesse atirado as letras.

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3) No quadrinho a seguir, a onomatopeia percorre a cena, transmitindo a sensação de quase onipresença. Por pouco ela não compete com os personagens no corredor!

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4) Um exemplo sobre a dificuldade de posicionar o som na cena. As letras estão quase transparentes. Se estivessem cheias, os personagens sumiriam atrás delas. A onomatopeia se sobrepõe, mas não tanto, ao desenho, dando inclusive a ideia de que o som é ensurdecedor.

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5) O carro caiu quase sobre o assaltante disfarçado de Jason! As letras ficaram amassadas, indicando que o som se origina do impacto do veículo contra o chão.

 

Creio que já consegui explicar meu ponto de vista, certo? A escolha do local correto para posicionar o “som”. Pra quem sabe inglês, eis uma matéria interessante sobre o assunto:

Existem infinitas possibilidades de criar coisas inéditas. Como sempre digo, experimente. Will Eisner fez isso até o fim da vida. Nunca achou que sabia tudo sobre o assunto. Sempre perseguiu novas possibilidades de exploração do “veículo história em quadrinhos”.

O grande  desafio é esse: levar as HQs sério e, ao mesmo tempo, torná-las atraentes e divertidas.

Até a próxima semana!

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