DINAMISMO NOS QUADRINHOS? Pergunte-me como…

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DINAMISMO NOS QUADRINHOS? Pergunte-me como…

Olá!

 

 

Eightball Five, de Daniel Clowes

 

Curtiu a página ao lado? É o que se fazia (e ainda se faz) na cena indie americana atual.

Emocionante, não?

Se você almeja produzir um quadrinho nessa linha, sugiro que procure outro blog, porque o tema de hoje não tem nada que haver com isso. Vamos falar sobre dinamismo.

Exagero nos quadrinhos

Um dos pontos em que o quadrinho se assemelha ao teatro é o exagero. No caso do teatro, isso se explica: se o elenco falar baixinho e usar gestos econômicos, as pessoas que se sentam nos últimos lugares da plateia não vão entender nada do que se passa no palco. Por estarem pensando exatamente nessas pessoas, os atores projetam a voz o mais que podem e lançam mão de uma linguagem corporal um tanto excessiva.

Histórias em quadrinhos não têm leitores no fundão (não, não estou falando de você, lendo escondido seu gibi, no meio da aula). Também não têm como usar som. Apenas imagens, texto e onomatopeias. O recurso utilizado para empolgar acaba sendo o do exagero. Desenhistas de traço mais próximo do real fazem isso de forma quase imperceptível. É um exagero bem dosado.

 

Blacksad, de Canales e Guarnido

Blacksad, de Canales e Guarnido

 

Quadrinistas com traço mais cômico e caricato extrapolam.

 

Asterix, de Goscinny e Uderzo

Asterix, de Goscinny e Uderzo

 

Em ambos os casos, os leitores aceitam: é uma cumplicidade implícita entre eles e os autores.

(Outra semelhança de certos quadrinhos com o teatro é a manutenção do mesmo enquadramento por praticamente uma história toda. Mas deixa pra lá que isso não é o assunto deste texto.)

 

Mas que merda!0004

Turma da Mônica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Ah, e como eu chego nesse tal de exagero?”

 

Senhoritas e senhoritos, com vocês…

As Linhas de Ação

Preston Blair mostra como se faz. O truque pra isso é você dar uma leve inclinada na figura, tendo por base uma linha que praticamente está “arremessando” ou “puxando” o personagem para uma pose mais arrojada, exprimindo mais movimento, mais energia. Costumo traçar essa linha e depois o personagem – tudo no esboço, claro. Isso me dá uma ideia de onde me basear para o desenho “oficial”, aquele que vai pra HQ. Pratique bastante essas poses e use referências. Agora, me faça um favor: não copie exatamente uma cena de um quadrinho que existe na sua HQ. Existem tantas fotos disponíveis na internet…! Uma delas vai servir.

 

Dinamismo facial

Ilustradores de desenhos animados utilizam o espelho como auxílio para as expressões faciais dos personagens. Fazendo algumas caretas, você descobrirá que os olhos e a boca são fundamentais para transmitir as emoções do personagem. Experimente fazer vários desenhos apenas com esses dois elementos.

No exemplo abaixo, veja só quantas intenções se escondem num sorriso: maldade, resignação, superioridade.

 

Do livro "O Corpo Fala", Peter Weil, com ilustrações de Roland Tompakow

Do livro “O Corpo Fala”, Peter Weil, com ilustrações de Roland Tompakow

 

Bom, é isso. Espero que você treine bastante, para entender a dinâmica do dinamismo. E me perdoe o trocadilho. Não foi intencional.

Até semana que vem!

 

 

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