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Entrevista com Lucas Libanio

 

Hoje a conversa é com o Lucas Libanio, autor de nada menos que duas tiras aqui do nosso site – Grotz e os Molekoids.

 

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Fale um pouco sobre você.  Qual a sua área de atuação antes de se tornar quadrinista?

Bom, trabalho com ilustração e animação desde que me formei, sempre como freelancer. Também leciono (ou lecionava) em cursos livres, técnicos e faculdade já faz um bom tempo.

Quando e como foi aquele “estalo” em que você decidiu que histórias em quadrinhos eram aquilo que você queria fazer pelo resto da sua vida?

Na verdade gosto do trabalho com desenho em geral, quadrinhos é um deles. Infelizmente ainda não consigo viver só de fazer quadrinhos. Eu sempre fui meio “incompetente” pras outras áreas mas sou um cartunista bem razoável.

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Como nasceu o Grotz?

Nos tempos de faculdade (ainda nos anos 90), fiz um desenho aleatório de um cara gordo cheio de pelos com um cigarro na boca. Anos depois quando comecei a pensar em um personagem pra tira acabei usando o mesmo modelo. A ideia era fazer um sujeito bronco, simplista, mas não ignorante, e meio recluso. Como ele ia acabar tendo que contracenar com alguém, pra haver algum diálogo, coloquei o Gerson, o tucano empalhado que só o Hans escuta,  pra cumprir este papel.

Quais quadrinhos você curte hoje em dia?

Bom, eu gosto mesmo é das tiras americanas clássicas (Dick Tracy, Fantasma, Krazy Kat, Pogo… ) e quadrinhos franceses tradicionais (Asterix, Tintim, Lucky Luke, Spirou…). Sempre compro as coletâneas que saem. Mas falando de coisas “novas”: sempre dou uma olhada no que se tem feito com os personagens da Disney, tipo Pateta Repórter e Mickey Mystery. Quando participo de algum festival é sempre de praxe trocar nossas publicações com os outros colegas. Alguns independentes são muito bons e, mesmo os que são meia boca (pro meu gosto) acho interessante pois acabamos tendo uma outra dimensão na leitura por conhecer quem fez.

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Quais artistas influenciaram o seu trabalho?

Bom, eu queria desenhar animais como o Walt Kelly (Pogo, Our Gang, Fábulas… ) e seres humanos como o André Franquin (Spirou e Fantasio, Gaston , Les Idées Noires… ). Outro preferido é o EC Segar (criador do Popeye). Os personagens do Segar são sempre uma inspiração. Harvey Kurtzman (Mad, Two Fisted Tales, Hey Look, Jungle Book… ) faz o tipo de sátira que eu gosto. O Pato Donald, Mickey e cia, não só do Carl Barks, que é primoroso em estrutura narrativa, e Floyd Gottfredson, que é meu desenhista Disney preferido, mas de vários outros artistas também  como Al Hubbard, Romano Scarpa e Giorgio Cavazzano (pra citar alguns). Adoro o estilo de desenho dos anos 20,  artistas como George Herriman (Krazy Kat, Baron Bean, Family Upstairs… ),  Billy de Beck (Barney Google e Snuffy Smith) etc. E dos franco-belgas Morris (Lucky Luke), Gotlib (Gai Luron, Dingodossiers, Rubrique-à-brac…), Hergé (Tintim, Quick e Flupke). Acho que sou meio antiquado.

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Como é seu dia a dia de quadrinista?

Cada dia é um novo dia. Em geral tento dividir entre os trabalhos como freelancer, cuidar da minha filha pequena e o trabalho regular como professor (quando estou lecionando). Sempre tenho um caderninho de esboço pra rabiscar ideias.

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Conte pra gente um pouco do seu processo criativo.  Onde você vai buscar suas ideias,  com quais materiais você trabalha (lapiseira,  nanquim ou é tudo digital?)?

Andar na rua, pegar ônibus, ir ao mercado… isso tudo acaba rendendo algum material. O ser humano é patético, é só observar que sai algo. No desenho não uso praticamente nada digital, só digitalizo, pois este é o processo que se usa hoje em dia pra dar vazão ao trabalho. Em geral faço a marcação com lápis azul e finalizo com nanquim usando pena e pincel. Quando uso cor, gosto de usar uma base em aquarela e detalhar com lápis de cor.

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Que dicas e orientações você pode dar pro nosso leitor e pra quem quer trabalhar com HQs?

Faça e ponha na roda. Faça 5, 100, 500. Uma hora você acerta. Se tiver com alguma dificuldade,  no desenho por exemplo, faça um curso pra dar suporte ao que você quer fazer . Não tem botãozinho mágico. A gente aprende é fazendo e fazendo sempre.

É isso.

Valeu pela participação e…  obrigado!

Nós é que agradecemos!

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