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Os 7 pecados mortais de um quadrinista

Quer mesmo seguir carreira de quadrinista? Não é fácil. Embora ter talento e perseverança ajudem, há algumas características nefastas que não podemos ter. São os pecados mortais do quadrinista!

Não peque, quadrinista!

 

Sou Fódia

 

1) Arrogância

Topar com aquele desenhista que se acha sensacional e não admite outras definições abaixo desta é um saco. Conheci um sujeito assim. Ficava “magoadinho” quando os amigos dele tiravam sarro da feiura das garotas que ele desenhava. Recusava-se a refazer um quadrinho que não tinha ficado bom. Suas noções de diagramação de página, perspectiva e anatomia eram limitadas. Insistia em desenhar os personagens de frente para o leitor, por mais que o roteirista aqui quebrasse a cabeça com câmeras altas e baixas pra dar dinamismo à história.

Acabou que, depois de um tempo, larguei mão do cara. Que eu saiba, não publicou nada até hoje.

Já eu… rê, rê, rê, rê!

 

2) Isolamento

 

Jonny Cazzo Away

Existem atividades que deixam o profissional com muito pouco contato com o resto do mundo: tradução e revisão de textos, escrever livros e maquiar cadáveres. Dessas, só não trabalhei com a última. O desenhista de histórias em quadrinho padece dessa mesma característica. Não há problema para quem gosta de sossego ou tem certa dose de timidez. Agora, se você quer aumentar o nível de seu trabalho, além de estudar bastante, sempre é bom ter contato com outros artistas, trocar ideias e novidades sobre técnicas, ou mesmo sobre lançamentos de quadrinhos. Já falei disso, aqui, lembra? Nem venha com a desculpa de que você pode olhar no DeviantArt ou qualquer outro site desses. Sair da toca de vez em quando faz bem.

 

3) Parar no tempo

Parou no tempo

Todo bom profissional precisa se manter atualizado. Já se foi o tempo em que isso valia apenas para médicos e o pessoal de Biológicas. Advogados têm de estar a par de novas leis; contadores precisam conhecer novas formas de pagar impostos (ou ajudar-nos a fugir deles); profissionais que mexem com tecnologia, então… Nem se fala! Então por que você, quadrinista, acha que se livrou dessa?

No mercado vivem aparecendo novas canetas de arte-final, nanquins de melhor qualidade, grafites mais resistentes, softwares de colorização, de perspectiva etc.

Renovar sempre é bom – menos no caso das versões mais recentes do Windows.

 

4) Bitolagem (e não baitolagem)

vizeiraz

 

Quantas vezes você não leu aqui mesmo que é preciso mudar as influências, não se limitar a apenas uma leitura, expandir seu universo  etc.? Veja quantos artistas ocidentais não “pegam” soluções gráficas de HQs nipônicas (como aquele fundo cheio de riscos horizontais para expressar movimento). Os mangás Nausicaa e Lodoss Wars têm clara inspiração nos quadrinhos europeus de fantasia.

Não fique só imitando seu artista preferido. Estude outros. Também falei sobre isso aqui .

 

5) Preguiça

Você levou horas numa página pra descobrir que o resultado ficou ruim. Faça de novo. Não saiu do jeito que você imaginava? Repita. Ou você acha que todo quadrinista, ilustrador, desenhista ou profissional afim acerta de primeira? Não tem escapatória, neguinho: o talento também surge de 1% de inspiração e 99% de transpiração.

Bila, a guerreira roqueira. Aguarde!

Pra você se empolgar: fiz essa página duas vezes porque não gostei da primeira versão!

6) Falta de noção

Fem nofão

 

Aí você vai a uma dessas COMICONS da vida e se encontra com seu ídolo dos quadrinhos. Aquele cara que você sempre admirou desde que se conhece por leitor ou desenhista de HQs. O que você faz frente a frente com ele?

Pelo amor de Deus, siga estas instruções:

  • seja educado(a). Se o cara se revelar um estrelinha, deixe-o ser escroto sozinho, peça licença e vá embora;
  • se o cara for simpático e humilde, não tente criar uma intimidade logo de primeira. Evite falar bobagens. Lembre-se que é você quem conhece ele, e não o contrário. Mostre respeito e admiração;
  • no caso de um artista estrangeiro, se você não falar a língua dele, vá acompanhado de alguém que saiba. É muito desagradável tentar se fazer entender com mímicas e com um inglês nível “The book is on the table”. As pessoas ficam impacientes. Sei do que estou falando: certa vez tive que intervir porque uma vendedora em Madri não estava entendendo o que minha esposa queria;
  • se quiser fazer alguma pergunta ao seu ídolo, formule-a antes com um amigo, pra não cometer gafes na hora, tipo perguntar pro Jim Lee por que ele nunca desenhou o Batman (ele já desenhou, sim);

 

7) Esquecer seu histórico de vida

Quem sou eu, mesmo?

Quando você deixar de ser anônimo – e eu torço para que isso aconteça logo – trate seus fãs e admiradores com respeito e educação. Não faça como um certo sujeitinho aí (cujo nome vou evitar) que, diante de um fã que havia redesenhado uma página dele e mostrava com todo o orgulho, ficou todo dodói. “Não, você não pode fazer isso!”, disse o “artista”. Tome como exemplo outro quadrinista (o nome desse eu falo), Mike Deodato: ele já chegou a afirmar que, mesmo depois de 20 anos de carreira, ainda ficava sem graça e tímido quando recebia elogios.

 

Espero que você tenha curtido este post.

Um abração e até sexta que vem.

Confira também…http://www.theamazingnerd.com

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