Marcio Meyer
July 27, 2017
Lucas Libanio
February 3, 2017

Giorgio Cappelli é paulista, natural de São Paulo.

O pai, um arquiteto que desenhava quadrinhos e era fã dos clássicos (Flash Gordon, Spirit, Terry e os Piratas, Corto Malteses e toda a turma que veio antes de Marvel e DC), o influenciou em sua paixão pelas HQs. Formou-se em 1987 pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, embora nunca tenha seguido a carreira publicitária.

Publicou seu primeiro trabalho como quadrinista em 1991: A Ameaça Amarela, na revista Udigrudi. Era uma aventura cômica com dois super-heróis de temperamentos e métodos totalmente opostos, que trabalhavam em dupla. Foram 15 páginas feitas em parceria com dois amigos. Dois anos mais tarde, tendo se mudado para Cuiabá, publicou no jornal O Estado de Mato Grosso, por sete meses, a série de tirinhas Pet Shop Guys.

Tempos depois, retornando a São Paulo, em 1995, passou a desenhar mensalmente um mangá erótico-humorístico para a revista Japan Sex Show. Assim nascia Bárbara, a bárbara. Dificuldades financeiras levaram Giorgio a abandonar a arte sequencial a fim de se dedicar apenas a traduções e revisões de textos. Em 2005, no entanto, graças ao apoio de sua esposa, voltou aos quadrinhos. Foi assim que figurou com seus personagens Apolônia, Mecônio e com a série de tirinhas Papai e Eu, na revista Gorjeta, uma publicação regional de Cuiabá.

No ano de 2012, Giorgio abriu a Editora Bila. De lá surgiram, em 2014, Rastreadores da Taça Perdida e, em 2015, O Extracurricular Cucaracha, duas obras que você pode conhecer aqui mesmo, clicando neste link. Parte das editoras nacionais têm se voltado ou para os mangás, ou para os quadrinhos de super-heróis. Conta-se, porém, nos dedos das mãos, as que dedicam-se a publicar material europeu. Em um passado não muito distante, podíamos ver, nas bancas de jornais, publicações brasileiras de humor, como a Chiclete com Banana e a Níquel Náusea, ao lado de revistas que traziam as bandas desenhadas europeias, no caso a Animal, a Porrada e a Circo.

Gosto muito das Bandas Desenhadas do Velho Continente. O estilo “Escola de Marcinelle” me atrai desde criança, embora eu só tivesse descoberto recentemente essa denominação. Meu próprio traço e minhas temáticas apresentam influências dessa linha: personagens desenhados de modo não realista, que não contam com recursos especiais nem super poderes a fim de resolver seus problemas.

Não acredito que os leitores tenham abandonado o gosto por histórias assim; o público atual é que ainda não foi apresentado a elas. Cabe a nós, da Editora Bila, trazer de volta a você um pouquinho desse sabor europeu.
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