Quarenta anos sem Goscinny

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Quarenta anos sem Goscinny

Dia 5 de novembro de 1977: o mundo perdia um dos maiores roteiristas de HQ de todos os tempos. Conheça um pouco mais sobre esse gênio das histórias em quadrinhos engraçadas

 

A gênese do humorista

Criador e co-criador de várias histórias em quadrinhos engraçadas, René Goscinny nasceu na França, em 1926. Por conta da profissão, seus pais, judeus poloneses, mudaram-se para a Argentina quando ele contava apenas dois anos de idade.

René viveu uma infância tranquila e cursou o Liceu Francês de Buenos Aires. Segundo ele próprio, ali teria surgido sua  fama de piadista. Mas nem tudo foram piadas em sua vida: aos 17 anos, perdeu o pai, obrigando-se a arrumar trabalho como auxiliar de escritório numa fábrica de pneus. Não conseguindo lidar com aquilo, abandonou o emprego ainda naquele ano. Havia conseguido uma vaga de ilustrador assistente numa agência de publicidade.

 

Rumo à Terra Prometida

Pouco depois, a convite de um tio residindo em Nova York, Goscinny e sua mãe mudam-se para os Estados Unidos. Foram cinco anos complicados. Sem dinheiro e com pouco trabalho, voltou para a França em 1946. Serviu o exército, atuando como ilustrador oficial.

Retornando aos EUA, o jovem René atravessou uma das fases mais difíceis de sua vida: sozinho, sem dinheiro e sem emprego. Tudo mudou ao conhecer dois americanos, com quem trabalharia num pequeno estúdio: Harvey Kurtzman e Will Elder,  futuros criadores da MAD. A amizade duraria pelo resto da vida.

Harvey Kurtzman, John Severin e René Goscinny em 1948

Mais europeus na América?

Em Nova York, Goscinny conheceu dois artistas belgas que também prestariam serviços para a MAD: Jijé (um dos autores de Spirou e Fantásio) e Morris (pai de Lucky Luke). Graças a ambos, em 1951, René voltou à Europa, para trabalhar na World Press/International Press. Tinha decidido dedicar-se apenas aos roteiros e não mais aos desenhos.

 

Entre 1955 a 1977, Goscinny criou várias histórias para o cowboy que atira mais rápido que a própria sombra

 

O começo de uma parceria duradoura

Numa certa manhã daquele mesmo 1951, o quadrinista Albert Uderzo, funcionário da World Press, ficou sabendo de um novo colega de trabalho que iria se juntar à equipe. Um certo “Gossini”. Ao ouvir o nome pronunciado de forma errada, o artista italiano se empolgou. Logo depois, descobriu que o rapaz na verdade era francês (seu nome se pronuncia Gosciní) e não um compatriota. Desde o começo ambos se deram bem, fazendo vários trabalhos juntos. Um dos primeiros foi Humpa-pá, o Pele Vermelha, que ganhou cinco histórias.

Asterix ainda demoraria um pouco para “nascer”.

Não confunda Humpa-pá com Umpa-Lumpa

A dupla, aliada ao roteirista e editor Jean-Michel Charlier e ao historiador Jean Hébrard, montou duas agências: a Edipresse (de notícias) e a Edifrance (publicitária). Embora se tratasse de outro período difícil, foi, no entanto, bastante fértil em termos de projetos e ideias. Tanto que Uderzo produzia nove páginas em uma semana, para sobreviver (na Europa, o normal são quatro por mês). Quando o prazo era curto, Uderzo não esboçava: ia direto no nanquim.

 

A grande reviravolta no roteiro

Em 1959, surgiu um projeto que tomaria todo o tempo da dupla: a criação da revista semanal em quadrinhos Pilote. Goscinny e Uderzo queriam um herói tipicamente francês. Escolhem o Roman de Renart (Romance de Renart), uma compilação de fábulas medievais. Havia animais como personagens e as histórias se baseavam no trabalho de Esopo.

Infelizmente, alguém já estava trabalhando nesse exato projeto. Os amigos, então, tiveram que procurar outro tema. Alguma pesquisa histórica da França os levou aos primeiros habitantes da antiga França: os gauleses.

A revista Pilote

No dia 29 de outubro de 1959, o número 1 da revista Pilote apresentava a seus leitores a primeira página de Asterix, o Gaulês. Contendo histórias em quadrinhos engraçadas, a revista se transforma em um sucesso imediato, vendendo mais de 300 mil exemplares!

Houve alguns altos e baixos no caminho, até que a dupla cessou as atividades, para retornar apenas em in 1963. Na época, René Goscinny participava de várias séries: Asterix, Iznogud (de Tabary), Lucky Luke (Morris), entre outras.

 

A perda

A partir do álbum Asterix e o Escudo Arverno, Uderzo decidiu se dedicar apenas à aldeia gaulesa. Resultado: abandonou todos os seus outros personagens.

O sucesso de Asterix ultrapassa as fronteiras da França: foi traduzido para 15 idiomas e vendeu mais de 18 milhões de exemplares por todo o planeta. O segredo? Histórias em quadrinhos engraçadas.

O ano é 1977. A dupla de artistas inaugurava o Estúdio Ideiafix, para produzir desenhos animados. Em 5 de novembro desse mesmo ano, em meio a um exercício de check-up médico, René Goscinny tem um enfarte fulminante. Tinha 51 anos. Faltavam somente sete páginas para a conclusão de Asterix Entre os Belgas, último álbum da dupla. Goscinny deixou viúva e uma filha de nove anos.

Foram mais de três décadas de carreira trazendo diversão a milhões de leitores pelo mundo e influenciando vários autores que vieram depois dele. Além da imensa criatividade, Goscinny foi responsável pelo desenvolvimento dos quadrinhos e por descobrir novos talentos da Nona Arte.

 

Goscinny, a você, nosso abraço e nossa saudade eterna!

 

 

Fontes: https://www.famousbirthdays.com/people/rene-goscinny.html

http://www.asterix.com/the-creators/rene-goscinny/

http://cjds.github.io/2014/04/11/Goscinny/

 

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