Temas Convergentes

Quarenta anos sem Goscinny
November 5, 2017

Temas Convergentes

 

Alguns autores, quando vão criar historias em quadrinhos, acabam tendo as mesmas ideias, na maior parte das vezes sem ao menos se conhecerem. 

Conforme já conversamos neste tópico aqui, a Jornada do Herói, de Joseph Campbell, é, sem sombra de dúvida, a estrutura básica de boa parte das narrativas existentes. Livros, filmes, quadrinhos, mitologia e contos de fadas obedecem esse esquema. Assim, não estranhe ao perceber que quadrinistas afastados por um oceano de distância acabem caindo, por motivos quaisquer, no mesmo tema.

Globetrotters

Globetrotter é um termo inglês que significa “aquele que passeia pelo mundo”. Alguns personagens vem à sua mente quando você pensa nisso, certo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E o que isso tem a ver com criar histórias em quadrinhos?

Bom, tanto Carl Barks quanto Hergé, ao criar histórias em quadrinhos, bolaram aventuras em que o personagem, sozinho ou em grupo, sai pelo mundo em busca de algo. Esse “algo” pode ser um tesouro, um assunto pendente, ajudar um amigo em dificuldades ou qualquer outra razão. Claro que não faltam perigos e emoções nessas narrativas. Tudo fica ainda mais curioso quando descobrimos que Hergé e Carl Barks foram homens simples, que tiveram pouquíssimas oportunidades de viajar.

 

Elementos em comum

Ainda falando em autores que provavelmente nunca tiveram contato um com o outro, vamos comparar outros dois: Hergé, com seu Tintim, e Doug Wildey, pai de Jonny Quest. Note a quantidade de características comuns entre suas criações:

Herói:  adolescente, na faixa dos 14 a 17 anos.

Animal de estimação: Milu/Bandit.

Amigo inseparável: Capitão Haddock/Hadji

Cientista cheio de recursos: Professor Girassol/Doutor Quest

 

Claro que essas diferenças param por aí – ainda bem! O elenco de personagens coadjuvantes varia muito entre essas duas séries.

 

O caso Dennis the Menace

Por último, um exemplo de coincidência incrível, que beira o sobrenatural.

Em  12 de março de 1951, duas séries estreavam, uma no Reino Unido, a outra nos EUA. Em cada uma delas figurava um garoto que armava confusões e se chamava Dennis. Pior: os dois quadrinhos intitulavam-se Dennis the Menace  [Dênis, a Ameaça, em tradução literal]. Tempos depois, ambos ganharam versões em desenho animado. O americano é mais conhecido por aqui, pela alcunha de “Pimentinha”.

Ambos, no entanto, têm duas diferenças básicas: o visual e a intenção. Enquanto o americano causava confusões de maneira involuntária, o britânico fazia tudo de propósito.
Essa coincidência de fatos intriga até hoje. Não haveria, por parte de nenhum dos criadores, a menor possibilidade de plágio. Mais detalhes sobre os dois Dênis, aqui.

 

Um recado pra você, que deseja criar histórias em quadrinhos

Por mais original que se esforce para ser, existe algo do qual não dá pra fugir: as influências. Elas sempre existirão. Cuidado, porém, para não deixá-las tão aparentes. Entre o original e a cópia, o leitor sempre vai preferir o primeiro.

 

Abraços e até a próxima vez!

 

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